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Advento – Caminhar na Esperança

Irmãos e irmãs!

Iniciamos o tempo do Advento. Na Constituição sobre a Sagrada Liturgia – Sacrossanctum Concilium (SC), “somos chamados a acolher, compreender e caminhar o ano todo pelas sendas do mistério de Cristo, desde a Encarnação e a Natividade até a Ascensão, o dia de Pentecostes e a expectativa da feliz esperança da sua volta gloriosa. Desse modo, comemorando os mistérios da Redenção, a Igreja abre as riquezas do poder santificador e dos méritos do seu Senhor, de maneira a se tornarem presentes em todos os tempos, para que os fiéis entrem em contato com eles e fiquem repletos da graça da salvação” (SC, 102).

O novo Ano Litúrgico nos leva a compreender os desafios do tempo presente, bem como nos possibilita encontrar a resposta, resposta que todo mundo anseia: a esperança. Se projetos humanos continuam desmoronando, pois marcados por “certezas falsas”, como a ganância, egoísmo, desejo de vingança e intolerância, a “esperança fiável” a encontramos em Cristo, o Senhor da história e do mundo, aquele que abraça todas as dimensões do tempo. Ele, morto e ressuscitado, é o “Vivente”, aquele que caminha conosco, com seu povo, na precariedade dos caminhos. Nele a libertação é oferecida e está sempre próxima.

O evangelista Lucas, evangelista deste novo tempo, convida-nos a acolher Jesus de Nazaré como “aquele sobre quem está o Espírito do Senhor” (Lc 4, 19) e que traz para dentro da história humana o projeto de salvação que Deus tinha revelado, conforme a promessa feita no Antigo Testamento. Sua missão começa preferencialmente com os pobres, doentes, estrangeiros, excluídos e à margem da sociedade. É ele quem revela o rosto misericordioso de Deus que, como Pai, espera a volta do filho que se extraviou, e quando o recupera são e salvo, se alegra e festeja. Evangelista que o apresenta rodeado pelas multidões de pobres e pecadores, famintos e sedentos, com quem ensina a partilhar o pão, sinal da presença dele na Eucaristia; acompanhado por mulheres que o serviam e a quem ele valorizava; que chamava a todos à conversão e à experiência do seguimento; que percebe o desejo de Jesus de ir às cidades e aldeias para anunciar a solidariedade e a bondade de Deus Pai. Portanto, o evangelista do caminho da salvação, do caminho da paz.

Sempre prontos para a vinda do Senhor, percorramos o caminho acolhendo com alegria o pedido de Jesus: “Que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida. Velai, pois, orando continuamente” (Lc 21, 34-36). Assim, a sobriedade, a oração e a abundante caridade para com todos nos tornem firmes e irrepreensíveis na santidade.

Cremos ser esta a mística do Advento que nos move a cultivar atitudes novas diante da realidade humana e cósmica, intensifica nosso desejo de felicidade plena, de relações fraternas, verdadeiras e duradouras, e fortalece nossa vocação de testemunhas da esperança, superando todo pessimismo e desencanto que possam nos abater.

A Virgem Maria – virgem do Advento – mãe de Jesus, nos guie para o Deus que veio, que vem e que virá. Que ele não nos encontre adormecidos ou distraídos, mas abertos ao seu Reino de amor, justiça e paz.

Por Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista (SP) e presidente da Comissão para a Liturgia do Regional Sul 1 da CNBB

 

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