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CNBB – Cáritas e Campanha da Fraternidade

Na década de noventa, o Nordeste foi atingido por uma seca tão grande, que muitas regiões do seu território se viram envolvidas em situação de calamidade. O problema mais urgente era providenciar alimentos para que a população pudesse sobreviver.

Reunida em sua assembleia anual, a CNBB tomou conhecimento da situação dramática.  Resolveu promover uma campanha de alimentos. E incumbiu a Cáritas Brasileira para empreender a campanha.

Convocada pela CNBB, a Cáritas agiu prontamente. O desafio tinha duas etapas. Era preciso motivar as doações de alimentos. E era preciso distribuí-los adequadamente. Foi adotada uma estratégia que provou ser muito válida. Cada Regional da CNBB recebeu uma determinada região do Nordeste, para onde seriam enviados os alimentos que conseguisse arrecadar.

São Paulo, por exemplo, adotou o Piauí. E assim os outros Regionais. Outra providência:  foram acionadas as 170 Cáritas Diocesanas para coordenarem a execução da Campanha, seja para fazer a arrecadação, como para fazer a distribuição. Continuando o exemplo dado, os doadores de São Paulo sabiam que sua arrecadação iria para o Piauí. E no Piauí os agentes das Caritas locais já estavam organizados para direcionarem os caminhões que vinham chegando para as diversas regiões do Estado.

Depois de uma semana de motivação, se determinou o domingo para fazer a arrecadação, que era embarcada de imediato, e era esperada no seu lugar de destino. De tal modo que em quinze dias foi feita a arrecadação de quatro mil e oitocentas toneladas de alimentos, levados por jamantas às diversas regiões atingidas pela seca.

Em 15 dias, tudo estava arrecadado, e tudo estava devidamente distribuído.

Com certeza, esta campanha não teria acontecido, se a CNBB não a tivesse convocado, e se a Cáritas Brasileira não a tivesse executado.

Outro exemplo notável foi por ocasião do terremoto no Haiti, em janeiro de 2010. A gravidade da situação fez com que a Cáritas agisse prontamente. A primeira providência foi solicitar ao Presidente da CNBB que convocasse a Campanha. Tudo de maneira rápida, de modo que em três dias a Campanha já estava lançada.  A estratégia era associar a campanha à divulgação do evento pela imprensa.

O resultado foi surpreendente: em 15 dias foram arrecadados oito milhões e meio de reais, que foram entregues, de imediato, para a Cáritas do Haiti, para que os aplicasse de acordo com as maiores urgências detectadas.

Se a “rede Cáritas” não tivesse suas ramificações internacionais, seria difícil realizar esta arrecadação, e destiná-la adequadamente.

São duas histórias concretas. Haveria muitas outras, sobretudo ligadas a centenas de projetos aprovados pela CNBB, que em cada ano procura aplicar, de maneira criteriosa, os recursos arrecadados pelas Campanhas da Fraternidade.

Antes de acusar, levianamente, a CNBB, a Cáritas e as Campanhas da Fraternidade, é necessário conhecer a ação que desenvolvem. E quem quiser colaborar, em vez de criticar, pode participar da coleta que será feita no Domingo de Ramos.

Dom Demétrio Valentini  é Bispo Emérito de Jales – SP  e x-presidente da Cáritas Brasileira. 

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