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É Páscoa

“Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai. Ele que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”(Jo13,1).

Irmãos e Irmãs!

A Páscoa de Jesus foi o ponto alto de sua vida. Ele veio enviado pelo Pai, para realizar o projeto do Reino, de Justiça e de Paz, e levou-o até às últimas conseqüências – a Cruz. Na Semana Santa, mais precisamente no Tríduo Pascal, os cristãos fazemos de modo notável a MEMÓRIA deste mistério, MISTÉRIO DE AMOR que liberta e salva revelando o verdadeiro sentido da vida: DOAR-SE. Não se trata da recordação de fatos passados que, podem até nos deixar consternados, mas do perene significado dos mesmos que, nos fazem perceber todo o alcance deste mistério, vivido no cotidiano da vida, pessoal e social.

O povo de Israel experimentou a presença salvífica de Deus   quando da caminhada da libertação do Egito, na passagem pelo Mar Vermelho, na conquista da Terra Prometida e em tantas outras situações. Assim também nós podemos sentir sua presença que salva, quando se dá o verdadeiro desenvolvimento, que é, para todos e cada um, a PASSAGEM de condições menos humanas para condições mais humanas. Todo sofrimento presente no momento crucial pela qual passam a humanidade nossa sociedade brasileira, com as atuais formas de terrorismo, exclusão, catástrofes naturais, preconceitos, intolerância, dominação, violência e morte…  revela a atualidade da Cruz de Cristo. Sua Paixão e Morte continuam na paixão e morte do Povo, sem esperança e sem perspectiva. Ainda não aprendemos a lição do lava pés, na Quinta-feira Santa: “Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15); não aprendemos a perdoar: “Pai perdoa-lhes! Eles não sabem o que estão fazendo!” (Lc 23,34) e não percebemos os sinais da vida nova que brotaram e continuam brotando de sua vitória sobre a morte.

A Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”, e o lema: “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) constitui-se num apelo para perceber a presença do Senhor Ressuscitado em nosso meio, clamando por dignidade e respeito para com todos. O nosso propósito de segui-lo nos ensine, antes de tudo, a “humanizar a vida” que deve estar sempre em primeiro lugar. A dor e a morte não podem ter a última palavra e o testemunho cristão seja sempre um alento: fazer o caminho na certeza de que o RESSUSCITADO VIVE: “… Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: Eu vi o Senhor.” (Jo 20,18).

Assim, a Semana Santa não termina com a procissão da Sexta Feira Santa, como um acontecimento isolado ou um gesto de devoção em nossa vida. Afinal, a morte de Jesus foi um acontecimento decisivo – a salvação da humanidade, pela humanidade de Jesus –  verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Nem termina com a procissão da Ressurreição no Domingo de madrugada. O que conta é a alegria que brota da vitória de Jesus sobre as forças da morte, renovando nossa esperança, nós que desde já participamos deste mistério, o mistério de Jesus crucificado e ressuscitado. “ Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32).

Retomemos o caminho, sensibilizando-nos com os crucificados que estão ao nosso redor, ajudando-os a retomar a esperança. Aos nossos queridos irmãos e irmãs membros do Regional Sul I da CNBB, uma FELIZ PÁSCOA.

Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia

 

 

 

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