Entrevista com o padre Berardo Graz em seu 38° aniversário de sacerdócio

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Padre Berardo este ano comemora os 38 anos da sua ordenação sacerdotal. Ele é coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB. Para homenageá-lo, o Regional Sul 1 da CNBB  realizou uma entrevista com o padre que, desde 1974, é missionário em terras paulistas. Durante o bate-papo, padre Berardo revela um pouco da sua trajetória vocacional. Confira!

“Agradeço a Deus por me ter escolhido por esta missão tão importante e santa e peço-lhe perdão como a todo o povo de Deus por, até agora, ter correspondido tão indignamente a esta dádiva. Continuo confiando na misericórdia de Deus que faz grandes coisas com os últimos e pecadores”, afirma o padre Berardo

 O padre Berardo Graz, conhecido como o “Padre Pela Vida”, da diocese de Guarulhos, que é também coordenador da Comissão em  Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, de 72 anos, natural de Brescia, na Itátlia, celebrou no mês passado no dia 19 de março o aniversário da sua ordenação presbiteral. Nesse dia foi  homenageado pelo Hospital Stella Maris.

O padre Berardo estudou os quatro primeiros anos no Seminário do Ipiranga e foi ordenado na Diocese de Mogi das Cruzes pelo então Bispo de Mogi das Cruzes D. Emilio Pignoli.  “Vim para o Brasil com 29 anos, em 1974, já com a intenção de ser padre. Entrei no seminário do Ipiranga em S. Paulo em 1976 e aos 19/03/1979 fui ordenado presbítero para a Diocese de Mogi das Cruzes por Dom Emílio Pignoli”, explicou em entrevista ao Regional.

A vocação

“Aos 19 anos comuniquei pela primeira vez ao sacerdote, com o qual sempre me confessava, o chamado, que me perturbava interiormente e que não vinha de mim, de que Deus talvez quisesse que eu fosse padre. A leitura do livro “A montanha dos sete patamares”, autobiografia de Thomas Merton, um grande convertido do comunismo à vida de monge trapista, e o contato com as Confissões de S. Agostinho prepararam o terreno. Também sempre me impressionou o testemunho de vários padres da minha terra de origem, que durante o regime fascista e nos anos da guerra não se dobraram ao regime ditatorial e pagaram pessoalmente sua fidelidade ao Evangelho com a prisão, até em campos de concentração na Alemanha, e com a própria vida”, afirmou.

No Brasil, como médico

Como acontecimentos mais marcantes, o padre Berardo destaca o trabalho realizado como médico, particularmente o tempo em que esteve auxiliando na construção e organização do Hospital Stella Maris em Guarulhos. “Já queria entrar no seminário na minha cidade de origem, Brescia, quando, em 1973, o meu diretor espiritual me propôs uma viagem até S. Paulo, onde uma tia dele, já há muitos anos no Brasil como freira missionária, se dedicava aos hansenianos no sanatório Padre Bento de Guarulhos. Aceitei a proposta da viagem, para estudar a possibilidade de inserir-me no Brasil, o que me permitiria, como médico já formado há quatro anos, de ajudar a jovem congregação da tia freira do meu diretor espiritual a concluir a construção e a organizar o Hospital Stella Maris de Guarulhos, preparando-me ao mesmo tempo para o sacerdócio. O que pesou na balança e me levou a decidir para voltar ao Brasil no ano seguinte foi a desproporção que naquela época (1973-1974) existia entre o número de padres da minha cidade, Brescia, e o numero de padres de Guarulhos, que naquela época tinha mais ou menos a mesma população de Brescia (Hoje Guarulhos tem cinco vezes a população de Brescia). Guarulhos contava com 10 padres e Brescia com quase 200. Pensei que, como padre, talvez pudesse servir mais a Igreja em Guarulhos do que em Brescia”, conta.

Padre Pela Vida

O sacerdote realça ainda o trabalho da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB que tem a seu cargo. “A Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul1 representa o embate do Evangelho com o mundo de hoje, mergulhado no relativismo que ameaça de solapar e cancelar até os valores da moral e do direito natural, acreditados e vividos também fora da Igreja como instituição, mas que são valores que constroem o Reino de Deus pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida e ressuscitou. Relativizar a vida humana e a fonte da vida, que é a sexualidade, significa relativizar e por em xeque toda a convivência humana e todos os direitos humanos até agora conquistados”, considera, acrescentando ainda que “a defesa da vida humana desde a fecundação até o seu término natural é a linha de frente mais avançada entre o Evangelho e mundo, pois somente Jesus Cristo e a sua Palavra, refletida e aprofundada pelo Magistério da Igreja, garantem o respeito integral da humanidade e derrubam as falsas teorias e filosofias, que continuam enganando o homem e desviando-o da autêntica realização de sua felicidade na história e na eternidade”.

Perto do final da entrevista, padre Berardo deixou um recado para todos que desejam ser padre. Ele reconhece que “primeiro precisa descobrir o Cristo na Palavra (oração) e nos Sacramentos, principalmente da Reconciliação e da Eucaristia,  na comunhão do Sacramento fonte que é a Igreja. Depois Nosso Senhor Jesus Cristo, através das mediações da Igreja e dos acontecimentos da vida de cada pessoa e de cada vocacionado, se encarrega de escolher o campo de ação e de enviar onde Ele quer os chamados a atuarem como padres. Primeiro vem a união com Cristo, depois e em consequência disto, a ação”, ponderou.

Em relação ao futuro, o sacerdote pede que reze por ele “continuem rezando por todos os padres e por mim, para que possamos ser mais fieis ao chamado recebido e mais firmes e alegres testemunhas da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo”, ressalva.

Com a palavra

“Elevemos nosso agradecimento a Deus, nosso Pai, pelos trinta e oito anos de ordenação sacerdotal do Revmo. Pe. Berardo Graz. Nosso Senhor o escolheu e o chamou, para o serviço da Igreja, na condição de Presbítero. Sua resposta, generosa e corajosa é testemunho de adesão fiel ao Projeto do Reino de Deus. Louvado seja Deus!” (Dom Airton José dos Santos, Presidente do Regional Sul 1 da CNBB).

“Pe. Berardo Graz, presbítero da diocese de Guarulhos, aqui chegou, vindo da Itália, quando ainda Guarulhos pertencia a Mogi das Cruzes. Criada a diocese, já tendo sido ordenado presbítero, optou pela permanência na nova diocese. Desde então, mostrou-se sempre presente na obra da evangelização em Guarulhos. Destaca-se, evidentemente, o seu apostolado na Pastoral da Saúde e Comissão pela Defesa da Vida. O passar dos anos pode  ter limitado a sua resistência física, mas de modo algum o ardor pastoral. Mesmo com os limites da idade, é incansável no seu trabalho.  Poso dizer que é apóstolo e testemunha do Evangelho da Vida”. (Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist. bispo diocesano de Guarulhos)

“Pe. Berardo, vem prestando serviço religiosos aqui no hospital Stella Maris,  como capelão há mais de 40 anos como médico, assistente administrativo, auxiliando a Diretoria e assessorando a parte ética medica do hospital. Nestes últimos anos vem dando assistência aos doentes, assim como aos funcionários, como sacerdote exerce uma função religiosa de dedicação exemplar como merece o serviço de Deus na igreja, sempre muito fiel ao seus compromissos sacerdotal”.  (Irmã Vitoria Nazareth de Oliveira, Presidente do Hospital Stella Maris)

 Entrevista concedida ao jornalista Renato Papis, do “Regional Sul 1 da CNBB”.

 

 

 

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