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Evangelho: sinal de esperança!

Leandro Martins Soares é leigo missionário, da Fraternidade Pobre de Jesus, da diocese de Mogi das Cruzes e participa do projeto Missionário na diocese de Pemba, Moçambique, África. Atualmente está em missão em Nangade

“Não me pediram comida, nem roupa, nem água, nem casas… nos pedem Deus, pedem abraços, pedem presença. Neste tempo, para mim, a África passou a ser a terra onde Evangelho missionário é sinal de esperança!”, testemunha Leandro Martins Soares, leigo missionário da Fraternidade Pobre de Jesus, da diocese de Mogi das Cruzes e participa do Projeto de ajuda a Igreja na Diocese de Pemba, em Moçambique, na África, mantido pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) através da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, em depoimento enviado ao site .

Me lembro, quando criança, de aprender a vasta variedade de animais presentes no continente africano nos livros da escola. Nesse tempo, para mim, a África era a terra dos elefantes e das girafas. E eu amava os animais!

Depois, já adolescente, os livros e noticiários me mostraram que a África era também o continente das crianças desnutridas, com barrigas enormes cheia de vermes e dos corpos magros e pelados. Nesse tempo, a terra dos animais passou a se tornar também o continente da fome e da miséria. E eu odiava pensar que tinham pessoas em tais situações, mas eu amava os seres humanos.

Assim surgiu meu sonho de ser missionário! Quando soube da notícia de que minha comunidade estaria, junto com a CNBB, abraçando este projeto, eu não tive dúvidas. Não consultei ninguém, nem se quer rezei para buscar discernir a resposta de Deus, porque para mim era óbvio: era a hora de ir para a África.

Quando tudo estava resolvido para a minha vinda, eu me questionava o que faria aqui: como ajudaria acabar com a desnutrição, ou como poderia mudar a realidade da miséria, das casas sem estruturas básicas para comportar uma família, da água contaminada ou a falta dela, da má escolaridade… enfim, pensamentos baseados no auxílio material/estrutural. Mas o que eu sabia da África além dos leões e crianças?

Eu acredito que, inconsequentemente, muitos pensam na clássica foto rodeada de crianças negras e felizes com uma frase impactante nas redes sociais que fazem os seguidores pensar: “que lindo, que pessoa heróica”. Mas não, a missão não é isso.

E eu descobri isso quando começamos a ver a esperança das pessoas pelo simples fato de terem recebido em suas aldeias alguns missionários; por terem celebrado, depois de 1 ano ou mais, uma Santa Missa em suas tão singelas, mas tão dignas capelinhas de barro e teto de palha; de ver a alegria dos papás e mamás que com suas debilidades físicas se arrastam até nós para darem um lindo sorriso e dizerem: karibu, significa bem vindo. De ver as crianças que, como um imã logo se ajuntam às dezenas ao redor das nossas pernas e tão facilmente enchem nosso rosto com o mais largo sorriso, que abraçam, brincam, pedem colo, que nos fazem sentirmos amados.

Na semana passada, estando no vilarejo Imbuo realizando uma semana missionária na cidade de Nangade, cerca de dez crianças auxiliadas pelas irmãs beneditinas me pediram ajuda para aprenderem inglês. Eu que até hoje não aprendi o verbo “to be”, mas me arrisquei.

No outro dia todos se lembravam, com alguns deslizes na pronúncia, do que eu havia ensinado: números, cores, partes do corpo humano, dar “bom dia”, “boa tarde”e “boa noite”. Ter recebido um “good morning” fez daquela hora o dia em que me senti mais útil neste país.

Não me pediram comida, nem roupa, nem água, nem casas… nos pedem Deus, pedem abraços, pedem presença. Neste tempo, para mim, a África passou a ser a terra onde Evangelho missionário é sinal de esperança!

Leandro Martins Soares é leigo missionário da Fraternidade Pobre de Jesus, da diocese de Mogi das Cruzes e participa do projeto Missionário na diocese de Pemba, Moçambique, África, mantido pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) através da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial. Atualmente está em missão em Nangade, Moçambique. 

 

 

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