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Fraternidade e políticas públicas: “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).

Pessoalmente estava desejoso que a Campanha da Fraternidade abordasse este tema, tão importante para a construção de uma sociedade justa e solidária, principalmente quando vivemos no cenário político nacional tantas denúncias e situações que refletem injustiça, egoísmo e corrupção, privando tantas pessoas de participação nos bens da sociedade. O direito e a justiça implantados são, sem dúvida, sementes do Reino de Deus. Espero que a conscientização da importância das políticas públicas, ajude esclarecer que tais políticas expressam comunhão e participação na construção de uma nova sociedade.  A nós, já tocados pela mensagem do evangelho, trabalhar pela implantação de políticas públicas, conforme os valores do Reino, bem como conscientizar – especialmente os mais pobres – de como podem e devem reivindicar e construir caminhos para acesso a essas políticas, é compromisso de conversão quaresmal.

Do ponto de vista evangelizador, a CF corre um perigo: acreditar que libertado pelo direito e a justiça se refira somente à construção de leis justas e conquistas sociais que, de uma maneira ou de outra, sejam implantadas e conservadas “nos rigores da lei” na sociedade. Poderemos ter leis maravilhosas, que sejam bem vigiadas para serem cumpridas, mas não teremos uma sociedade renovada, se não houver conversão do coração.  A verdadeira libertação tem que ser fruto da evangelização e não simplesmente da elaboração de leis justas.

Jesus, no seu ministério público, realizou milagres, onde principalmente os pobres eram beneficiados naquilo que “políticas públicas” lhes negavam. Assim mostrava como é importante a misericórdia de Deus, que se manifesta na fraternidade e solidariedade.

As obras de Jesus inauguram a era messiânica: “os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.” As políticas públicas implantadas sempre perderão a sua força se não houver a evangelização. Esta evangelização deve atingir a sociedade como um todo, porque não está garantido que o benefício da política pública por si mesmo, seja evangelizador. Corremos o risco de fazer justiça ao pobre e não evangeliza-lo.  Podemos fazer justiça ao pobre e não abrir-lhe espaço para optar pelo sentido mais profundo da sua existência. Quem quiser entender, que entenda.

Por Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist., Bispo diocesano de Guarulhos e vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB

               

 

 

 

 

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