Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários

No último dia 5 de maio, em Aparecida (SP), encerrou-se a 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); que teve como tema central: “Iniciação à  Vida  Cristã: itinerário para formar discípulos missionários”.

 Na introdução ao novo documento (tema central da 55ª Assembleia), nós,  Bispos do  Brasil,  afirmamos:   “É necessário pensar e construir um  novo   paradigma    pastoral. É exigência do nosso tempo” (3). “Vivemos à procura de respostas sobre a vida, seu sentido e, no fundo, sobre nós mesmos” (4). Logo depois, enfatizamos: “A vida cristã é um novo projeto de vida: ‘o projeto’. E, por isso, ela requer um processo de passos de aproximação, mediante os quais a pessoa aprende e se deixa envolver pelo mistério amoroso do Pai, pelo Filho, no Espírito  Santo.  Seu agir será outro, passando a um novo modo de vida no campo pessoal, comunitário e social. E isso é  realizado por meio de símbolos, ritos, celebrações, tempos e etapas. O Ritual  de  Iniciação  Cristã     de Adultos   (RICA)   condensa  todos  estes elementos” (5).

O capítulo I  apresenta um ícone bíblico: Jesus e a Samaritana. “Esperamos que o encontro de Jesus com a samaritana ilumine nossas reflexões sobre a Iniciação à  Vida Cristã, animando-nos  a  dar  novos passos no caminho de nossa ação evangelizadora”  (11).   O texto deste capítulo articula-se em seis passos: o encontro, o diálogo, conhecer Jesus, a revelação, o anúncio e o testemunho; assim, reafirma-se o sentido de itinerário, de caminho. “Esse encontro de Jesus com a samaritana é exemplo perfeito da maneira como Ele se faz conhecer àqueles que o procuram. Ele faz conhecer progressivamente, como acontece na Iniciação à Vida Cristã. Lentamente a mulher vai descobrir quem é Jesus. No início do diálogo, Ele simplesmente era um ‘judeu’ (Jo 4,9), depois ela descobre que é ‘um profeta’ (Jo 4, 19), quando lhe diz que precisamos adorar a Deus em espírito e verdade, o próprio Jesus revela que é o ‘Messias’ (Jo 4, 26). No final do encontro, os samaritanos o reconhecem como ‘Salvador’ (Jo 4, 42), ponto de chegada da revelação” (37).

O capítulo II  nos  convida   a  aprender da história e da realidade: VER. Neste capítulo olhamos  o processo de Iniciação à Vida Cristã ao longo da história; o caminho que já conseguimos fazer, a urgência de um novo processo de Iniciação à Vida Cristã, o caminho a ser percorrido. “Os sinais dos tempos, lidos à luz da fé, exigem de nós humildade, atitude de acolhida, criatividade e capacidade dialogal que, a exemplo do que aconteceu no encontro entre Jesus e a samaritana, possibilitem um itinerário que facilite a caminhada rumo à conversão. E isto sinaliza a necessidade da conversão pastoral” (55).

O  capítulo III nos convida a discernir como Igreja: ILUMINAR. Inicialmente, este capítulo nos mostra como a Iniciação à Vida Cristã (IVC) é articuladora das urgências na ação evangelizadora. Lembra que a Iniciação é mergulho pessoal no mistério de Deus e nos apresenta as dimensões teológicas da IVC.  E o capítulo termina mostrando que a vivência cristã é fruto da Iniciação. “O processo catecumenal cria gradual e progressiva revisão das atitudes, escolhas e comportamentos, convocando a uma efetiva conversão da própria vida. O discípulo de Jesus responde de maneira concreta ao chamado, que recebe pela graça de Deus. Frente às dificuldades e desafios que o mundo lhe apresenta, deverá elaborar um novo projeto de vida tendo como base a proposta do Senhor, centrado no espírito das bem-aventuranças, nos mandamentos e na tarefa de edificar o Reino não só no interior de seu coração, mas também na história” (134).

O capítulo IV propõe caminhos: AGIR. Este capítulo, de início, apresenta o Projeto Diocesano de Iniciação à Vida Cristã, com suas características, metas, integração com a liturgia e a coordenação diocesana. Também deixa claro quais são os sujeitos da Iniciação à Vida Cristã.

 Na  conclusão,  nós,  Bispos  do Brasil,  afirmamos: “É necessário assumirmos a caminhada de construção da Iniciação à Vida Cristã. Que ela seja um eixo unificador, uma bússola que direciona os esforços de toda a Igreja no Brasil, em sua tarefa de renovação pastoral para maior fidelidade à missão que o Senhor nos confiou” (246).

 Dom Moacir Silva, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto

 obs: os números entre parênteses referem-se aos números (parágrafos) do novo documento.

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