Iniciação à Vida Cristã

O Documento 107 da CNBB, aprovado na 55ª Assembleia Geral, em 2017, intitula-se Iniciação à vida cristã: um itinerário para formar discípulos missionários. Iniciação à vida cristã é uma das cinco urgências contidas nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (Doc. 102). As outras quatro são: missão, animação bíblica da vida e da pastoral, Igreja: comunidade de comunidades e Igreja a serviço da vida.

Segundo o Documento de Aparecida, a iniciação cristã acontece a partir do anúncio fundamental de Jesus Cristo, o querigma. E é a maneira prática de colocar a pessoa em contato com Jesus Cristo, iniciando-a no discipulado e fortalecendo a unidade dos três sacramentos de iniciação: batismo, crisma, eucaristia. A pessoa é iniciada nos mistérios da fé seja na forma de catecumenato batismal para os não batizados ou na forma de catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados (cf. Documento de Aparecida, n. 288).

Há um caminho a ser percorrido: encontro com Cristo, conversão, discipulado, comunhão e missão (cf. DAp 289). Para o Documento 107, a iniciação cristã se explica como “um processo formativo do discípulo missionário de Jesus Cristo”, isto é, um itinerário para viver em Cristo e um caminho que conduz a uma vivência cada vez mais autêntica na comunidade cristã. “É um encontro com o Senhor na vida em sociedade, na fraternidade cristã, na participação da liturgia e na missão eclesial” (Doc. 107, n. 49).

O primeiro capítulo do documento destaca o encontro entre Jesus e a Samaritana (Jo 4) e denomina essa passagem do quarto evangelho como ‘um ícone bíblico’, isto é, um paradigma de como Cristo dá um sentido novo à vida humana. Trata-se de “um encontro com Jesus que muda a própria vida e atinge outras vidas, porque quem descobre essa presença salvadora não a guarda para si. Vai levá-la a outros” (n. 13).

A formação do discípulo missionário passa pela catequese. E o processo catequético pedagógico, realizado de modo harmônico, consistente e continuado, comporta a catequese básica e fundamental, incluindo a preparação aos sacramentos, e a catequese permanente “que continua o processo de amadurecimento da fé, o discernimento vocacional e a iluminação para projetos pessoais de vida” (cf. DAp 294).

O Documento aborda como a Igreja realizou a transmissão da fé e a iniciação à vida cristã no decorrer da história. Nos primeiros séculos, a Igreja acolhia novos membros por meio do catecumenato, isto é, por um itinerário catecumenal a partir da inspiração litúrgico-querigmática, (n. 42). A cristandade ressaltou a inspiração devocional, marcada pela devoção aos santos, peregrinações, penitências e orações decoradas (n. 44), ou seja, uma catequese a partir da piedade popular. No Concílio de Trento (1545-1563), constata-se a inspiração doutrinal, com ênfase na transmissão sólida das verdades divinas pela catequese e a elaboração de um Catecismo.

O Concílio Vaticano II busca entender os sinais dos tempos e propõe uma restauração adaptada do catecumenato (n. 49). Sela um compromisso “com a renovação pastoral da iniciação cristã” (n. 50) e empreende um movimento de transformação missionária da Igreja, com ênfase na acolhida, na misericórdia e na alegria (n. 51). O Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA) apresenta uma experiência catecumenal adaptada com características adequadas ao nosso tempo (n. 117).

Em suma, a iniciação à vida cristã é uma experiência mistagógica, pois a vida do batizado é sustentada pela mística e espiritualidade. O iniciado passa a viver a partir da “imersão no mistério de Cristo mediante a Igreja” (n. 105-106). E a Igreja, entendida como realidade única e universal, acontece e se realiza de modo próximo e visível na comunidade de fé, na caridade fraterna, nos carismas colocados a serviço do bem de todos e na celebração dos sacramentos como sinal eficaz da graça de Deus.

Por Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes e vice-Presidente do Regional Sul 1

Mogi das Cruzes, 12 de novembro de 2017

 

Categoria: Notícias