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“Levo as mãos vazias para abraçar com mais força projetos já iniciados, aos quais vou para somar forças e diminuir carências”

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Projeto Missionário: Em entrevista, padre André Ricardo (foto), fala sobre sua nova missão na Amazônia

“Levo as mãos vazias para abraçar com mais força projetos já iniciados, aos quais vou para somar forças e diminuir carências”

Padre André Ricardo Panassolo, 34 anos, natural de Amparo (SP), será enviado para a Amazônia. Ele se juntará à Equipe de missionários do Projeto entre os Regionais Sul 1 e Norte 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), criado pelos bispos do estado de São Paulo, para colaborar com as Igrejas daquela região. Antes de viajar, em entrevista à assessoria de imprensa do Regional Sul 1 da CNBB, o jovem presbítero conta um pouco do seu trabalho pastoral na diocese de Amparo e fala das expectativas para sua nova missão na Amazônia.

Há quantos anos você é padre? Fale um pouco sobre o seu trabalho na diocese?

Fui ordenado no dia 07 de maio de 2015, portanto, tenho um ano e nove meses de ministério presbiteral. Desde minha ordenação, fui designado para a paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Serra Negra (SP), onde me encontro hoje, como vigário. Deus sabe como sou feliz aqui! Sempre fui cercado de afeto nesta paróquia e reconheço nisso tudo a forma carinhosa com que Deus cuidou de mim e me preparou para partir. Há muito amor recebido a ser oferecido.

Dentre as pastorais que acompanho, estão a Pastoral Carcerária, Grupo de Jovens, Pastoral da Saúde e Pastoral da Comunicação. Primo pela proximidade. Ninguém é capaz de sentir o outro estando longe dele. Essas pastorais foram sensibilizando áreas diferentes da minha alma. Quando dei por mim, percebi um apelo diferente em mim. Elas me educaram, sensibilizaram e acordaram para uma urgência que transcende os limites da paróquia. Fizeram-me sentir, num todo, a Igreja dentro de mim.

Eu tinha todos os motivos para ficar. Mas, percebi, que tenho mais motivos para partir.  Não tenho a pretensão de ser a solução para os problemas, mas carrego o sonho de ser um sinal da misericórdia de um Deus apaixonado que jamais desampara os seus amados.

Quando despertou em você o desejo de assumir a vocação missionária?

Sempre houve em mim um desejo de ser missionário. Entre meus santos de devoção, está Santa Teresinha. O amor pela missão dessa santa enclausurada sempre me inquietou e provocou. A felicidade depende de estarmos onde Deus quer que estejamos. Quero ser feliz. Mas sei que, se não abraçar os sonhos de Deus para mim, jamais serei. Se eu não me plantar no solo em que Ele mesmo preparou, os frutos que produzirei não serão agradáveis ao paladar de ninguém. A motivação mais profunda em ser missionário consiste nisso: querer o que Ele quer para mim. Tudo por Ele. Nada sem Ele.

De quem partiu o convite para a Missão na Amazônia?

De Deus. A iniciativa foi Dele. Abracei-a. Quando a gente recebe muito de Deus, sente-se constrangido em dizer não a um convite Dele. Não me sinto melhor que padre algum por ser enviado em missão, mas me sinto imensamente amado por Ele por ser escolhido. Meu Mestre ocupou os últimos lugares. Não poderia eu fazer diferente.

O Papa Francisco insiste numa Igreja em saída missionária. A Igreja está acordada para está missão?

A Igreja está acordando. O Papa apenas faz ressoar a voz de Cristo que nos chama ao movimento de saída. O primeiro passo é sempre o mais doloroso. Sair de si é sempre um desafio. Mas jamais alcançará o Céu, quem não servir a Deus na pessoa dos mais necessitados. O primeiro passo tem feito muito barulho e muita gente anda acordando para esta realidade. É próprio do batizado ser missionário! O Espírito jamais deixou de provocar. Faltava um incentivo. Como disse, “faltava”. Agora o temos. Reconheço na pessoa do Papa essa divina provocação. Uma Igreja que cria raízes no comodismo, não produz frutos saborosos e consistentes para um mundo sedento de Deus e faminto de sua Palavra. É preciso sair para trazer! É preciso sair para fazer conhecido o amor de nosso Deus!

Os maiores desafios enfrentados na Amazônia são a escassez de padres; o isolamento das comunidades devido às distâncias geográficas; as migrações; o desrespeito aos povos indígenas; o fenômeno das grandes metrópoles carentes de infraestrutura, agravado pelo desemprego e baixo nível de educação e saúde, a exploração predatória; o narcotráfico. Quais são suas expectativas para a missão na Amazônia e como ajudar para diminuir essas situações?

Confesso que em mim, não há expectativas. Expectativas podem gerar resistências. As expectativas humanas, muitas vezes, atrapalham as aspirações divinas. Dentre os frutos de minha oração, há uma frase que tenho um carinho todo especial por ela: ser de Deus para ser para os outros. Quero ser o que os outros precisam de mim. O Senhor não precisa das minhas expectativas, Ele precisa da minha generosidade. Levo para as terras amazônicas meu coração disponível, os dons que Deus me deu e minha vida para ser gasta naquilo que me for exigido. Levo as mãos vazias para abraçar com mais força projetos já iniciados, aos quais vou para somar forças e diminuir carências.

Você gostaria de dizer mais alguma coisa?

Gostaria de pedir orações. Muitas! A oração é o combustível da alma missionária. Sem ela, as motivações morrem, sonhos minam, forças vacilam, corações perdem a ternura necessária para sentir e dar-se aos outros. Portanto, orem por mim, para que eu corresponda, fielmente, aos sonhos que Deus tem para mim em terras onde Ele me espera para vivermos, juntos, uma história de amor, ao lado de seus amados, os indígenas.

Envio Missionário – A Diocese de Amparo celebrará uma Missa de Envio missionário do padre André Ricardo Panassolo, com destino à diocese de São Gabriel da Cachoeira, AM, no próximo dia 23 de fevereiro, presidida pelo bispo diocesano, Dom Luiz Gonzaga Fechio, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Serra Negra, às 19h30.

Renato Papis, jornalista da Assessoria de Imprensa do Regional Sul 1 da CNBB.

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