Artigos

Natal – Celebrar a Vida

6c0c4998033a63674558e9ee612313ae
C. Pastro

“A graça de Deus se manifestou para a salvação de todos os homens” (Tt 2,11).

Irmãos e Irmãs!

É com alegria que celebramos o Natal. Deus enviou seu Filho a nós, cumprindo assim a profecia: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi; Ele reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranqüilo; este é o nome com que o chamarão: Senhor nossa justiça” (Jr 23, 5-6).

Compreendemos o Natal a partir dessa experiência, de humildade e pequenez de nosso Deus que, se fez caminho, verdade e vida; experiência de um Deus que se torna humano, próximo, vivendo em tudo a condição humana, menos o pecado. Eis a graça que se manifesta, plantando no chão da história aquilo que realmente conta para a humanidade: o amor e a solidariedade. No Filho de Deus nos tornamos filhos, e a dignidade humana é restabelecida para sempre. Deus se fez um de nós. Por isso o Natal é sempre uma grande festa, uma tentativa constante de aproximação desse mistério de amor, onde Deus nos mostra a sua face: o que era mistério, nascendo se revelou.

Qual deve ser nossa atitude? Não deixar passar despercebido o grande Dom de Deus, um Filho. Fazer o Natal ir além das aparências e da artificialidade para ser o Natal humano e acolhedor, que permanece como meta a ser alcançada e vivida nos gestos de comunhão, partilha e corresponsabilidade, sobretudo, na defesa da vida. A grande exigência a partir do Natal de Jesus será sempre a de não negligenciar o princípio ético do respeito à dignidade e à vida do ser humano. Celebram verdadeiramente o Natal, os que não se fecham aos apelos dos pequenos, dos pobres, indefesos e violentados de tantos modos, os que colaboram na promoção de uma cultura humana e cristã, com verdadeira liberdade, onde ninguém seja excluído. Natal, momento privilegiado para retomar a vida familiar, ameaçada de desconstrução, inclusive por aqueles que têm a missão de defendê-la nas instancias do poder estabelecido. Para muitos ela não coopera mais para a liberdade tão sonhada, tornando-se um entrave, sem falar de outros modos de relacionamento que pretendem substituí-la.  A família é comunhão de pessoas, é experiência na diversidade: pai, mãe e filhos, para fazer aflorar sempre a beleza e a dignidade do ser humano, homem e mulher criados a imagem e semelhança de Deus.

Contemplemos e adoremos o menino que nasceu, como fizeram Maria, José, os Pastores e os Magos. Abramos os corações, façamos o propósito sincero de colaborar na construção de um mundo novo, reconciliado, onde todo ódio, egoísmo e ressentimento sejam banidos. A manjedoura de Belém continua a nos interpelar. A partir dela se prolonga a justiça de Deus que restaura a nossa vida, nossa casa, a nossa família, a vida dos animais, das plantas e de todo o universo. Eis a autenticidade do Natal.

Um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz a todos os nossos diocesanos e nossos leitores.

Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista e Presidente da Comissão para a Liturgia do Regional Sul 1 da CNBB

Adicionar Comentário

Clique aqui para comentar

Palavra do Presidente

Facebook

Assine nossa newsletter