O Advento Cristão

Irmãos e Irmãs!

Chegou o tempo do Advento. Com alegria nossas comunidades retomam a caminhada que, mais que espera passiva pela vinda do Senhor, é tempo para acolher sua presença, já em nosso meio, convocando-as ao testemunho alegre e convicto, capaz de impulsionar a história com os seus acontecimentos, para fazê-la crescer e amadurecer sua vocação, como depositária do desígnio de Deus. Aquele que veio e está no meio de nós, virá para levá-las à sua plenitude.

O Evangelho proposto para o ano de 2018 é o de Marcos. Neste Evangelho, Jesus é apresentado como BOA NOTÍCIA para toda a humanidade. O que os profetas anunciaram se cumpriu plenamente nele, o Messias, o Filho de Deus. É ele mesmo quem afirma: “O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Mc 1,15). Assim, o Reino de Deus que chega definitivamente provoca mudança radical na vida das pessoas, nas situações marcadas pela injustiça e nas estruturas da sociedade. Pede que retomemos o serviço à causa da vida e do bem, rompendo barreiras, preconceitos e divisões, aproximando-nos do outro, solidários em nossas relações.

Podemos dizer que o Advento nos proporciona sempre de novo entrar no mistério de Deus, que se encarnou e se sensibilizou com a nossa sorte e  a fazer a experiência do seu amor misericordioso. Em Jesus, “Filho que nos foi dado”, fomos resgatados e salvos. É o dinamismo do nosso Deus, que sempre alcança as pessoas nas situações em que se encontram, despertando novos horizontes de libertação e de vida. A Boa Notícia é, portanto, sempre nova e para todos. A ela todos podem ter acesso. Ninguém se julgue excluído.

Quanto às nossas comunidades, discípulas missionárias do Senhor, já presente, cultivem sempre a vigilância, o zelo e a esperança que caracterizam a vida cristã. Cuidemos para que a nossa vida, a vida de nossos irmãos e irmãs, dos animais, das plantas e de toda a natureza, expressem a sua grandeza e beleza e percorram o seu caminho com destino à eternidade.

Seja o Advento e todo o ano litúrgico, tempo para viver na presença do Senhor, presença muitas vezes escondida e que pede sensibilidade, abertura de coração, alegria, comunhão, mormente quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia – “até que ele venha”.

Permitamos que o Advento seja um tempo de piedosa e alegre expectativa. Vivamos, como comunidade cristã, a espiritualidade própria deste tempo, a espiritualidade da visita por excelência de Deus ao seu povo. A sobriedade, desde o modo de ornamentar o espaço celebrativo, como também os cantos, celebrações, novenas e a oração pessoal, possibilitem que nos preparemos para celebrar com renovada alegria, visita tão ilustre.

Deixemos o Advento ser Advento, e o Natal ser Natal. Não permitamos que o consumismo exacerbado deste tempo roube a nossa sensibilidade, a nossa preparação interior, a nossa capacidade de encanto diante do Mistério de um Deus que não hesita em se fazer um de nós, divinizando-nos.

Acolhamos o apelo de João Batista, que exorta à mudança de pensamento, de princípios, para poder receber o “Cordeiro que tira o pecado do mundo”. Acolhamos o apelo do profeta Isaías que exorta à esperança: a consolação, a restauração e a renovação tomarão o lugar da opressão e do sofrimento.

Fixemos nosso olhar em Maria: “o seu sim transformou a espera do Messias em presença, a promessa em dom. Assim, Maria pode ser o melhor exemplo para nós, numa Igreja que quer viver a presença de Cristo no mundo de hoje” (Marialis Cultus – sobre o culto à Virgem Maria – Beato Paulo VI, n.4).

Por Dom Sérgio Aparecido Colombo, bispo diocesano de Bragança Paulista e Presidente da Comissão para a Liturgia do Regional Sul 1 da CNBB

 

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