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Regional Sul 1 realiza encontro de estudo da Campanha da Fraternidade de 2019

O desafio da CF 2019: encantar, dar esperança e ampliar a participação dos católicos na construção de políticas públicas

O Regional Sul 1 da CNBB promoveu o Encontro Estadual da Campanha da Fraternidade 2019, entre os dias 9 a 11 de novembro, em Itaici, Indaiatuba (SP). O evento teve como objetivo principal apresentar o Texto-Base da CF-2019, que tem como lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1, 27)” e tema “Fraternidade e Políticas Públicas”.

Com a presença de representantes das oito sub-regiões pastorais (Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto I e II, São Paulo I e II e Sorocaba), os participantes refletiram sobre o cenário nacional e puderam analisar formas de buscar a resolução de problemas e se tornar construtores de uma democracia participativa à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.

O encontro teve início no dia 9 com a apresentação do documentário Coragem! As Muitas Vidas de Dom Paulo Evaristo Arns, a saudação do coordenador regional, Padre Antônio Carlos Frizzo, e uma análise de conjuntura feita por Carlos Signorelli, da Comissão de Fé e Política do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB). Considerando fatos recentes e uma perspectiva, mesmo a curto prazo, de perda de direitos e risco às populações mais fragilizadas, ele destacou que se vive uma crise da democracia representativa, já notada na Conferência de Aparecida e analisada no documento da CNBB 91, “Por uma reforma do Estado com participação democrática”, em 2010. Para ele, trata-se de uma mudança de época, que exigirá algo novo, com agentes retomando e ocupando espaços. “A solução é avançar na construção de uma democracia participativa, sobretudo a nível municipal.”

Para essa construção, é necessário entender que políticas públicas são necessárias porque tratam de problemas reais, como destacou no sábado o professor Felix Fernando Siriani. Ao apresentar a divisão do VER do texto-base, ele explicou as diferenças entre intervenções de governo e de Estado, o ciclo das políticas públicas (identificação do problema-formulação de medidas-tomada de decisão- implementação-avaliação/monitoramento) e a necessidade de uma participação ativa, sobretudo em conselhos públicos. “É preciso sair do individual para o coletivo”, ressaltou o especialista em políticas públicas. “O grande desafio é encantar novamente as pessoas para a discussão política”, afirmou. E completou, citando o filósofo clássico Aristóteles. “Política é a ciência que tem como objetivo a felicidade humana.”

Na sequência, o Padre José Nelson da Silva, da Diocese de Campo Limpo, trabalhou os conceitos bíblicos de direito e justiça, que, a partir da lei e dos profetas, considerando Pentateuco e Isaías, norteiam a reflexão da Igreja Católica no Brasil sobre políticas públicas em 2019. “Esses conceitos são o paradigma para anunciar o reino de Deus no Evangelho.” O sacerdote ainda apresentou, como parte do JULGAR, as diversas relações do tema com a Patrística e a tradição e o magistério da Igreja – notadamente por meio do Compêndio da Doutrina Social. E trouxe a questão para a atualidade. “Não podemos ter o meio-cidadão, aquele que sabe que tem direitos, mas espera que alguém o defenda. Precisamos de cidadãos ativos. E solidários, que lutem pelos outros, pelo bem comum”, disse, citando o papa emérito Bento XVI.

Já na presença do bispo auxiliar de São Paulo e referencial da Campanha da Fraternidade no Estado, Dom Eduardo Vieira dos Santos, o secretário executivo da CF no Sul 1, Antônio Evangelista, apontou formas práticas do AGIR em 2019. “O exercício é ver quem está à margem de tudo como destinatário de nossas ações. Ignorar isso é insistir em um desejo pessoal e não no Evangelho.” Essa participação, em suma, inclui tanto demandas individuais, inclusive nas redes sociais, quanto coletivas. Envolve participação em conselhos e na política, superando preconceitos. E realça, como destacou o secretário, o trazer para essa discussão geral o contexto específico de cada diocese, paróquia, comunidade e grupo que seja alvo de uma ação pastoral/social. “Reconhecer que somos filhos e filhas de Deus, e que fomos criados para cuidar de sua obra, é o primeiro modo de participação para o cristão, cidadão do mundo.”

No domingo, mais pistas de ações foram apresentadas, como a proposição de uma auditoria da dívida pública, tema que contou com a assessoria da coordenadora de Escola de Fé e Política e agente da CF Dolaine Coimbra dos Santos, e a organização da Jornada Mundial do Pobre, uma convocação pessoal do Papa Francisco. Também foram chamados para “estar no meio” representantes eleitos em outubro – uma prefeita e os vereadores e chefes de gabinete presentes em Itaici –, que deram o testemunho da necessidade do católico, no fechamento do Ano do Laicato, estar presente também onde se decidem as políticas públicas. Como ressaltou Antônio Evangelista no dia anterior, o grande mote da CF 2019 será responder à pergunta de Deus a Caim, ainda no Gênesis. “Onde está o teu irmão?”

Com informações da equipe estadual da Campanha da Fraternidade

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