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Os Reis Magos

L'Adorazione dei Magi, mosaico

Hoje celebramos a festa dos Reis Magos. Esta festa tão popular no cristianismo católico e também na Igreja oriental, está repleta de bonitas tradições e manifestações culturais. No cristianismo oriental ela é tão importante quanto o próprio Natal. A tradição de dar presentes, sobretudo para as crianças, nasceu a partir dos presentes que o Menino Jesus recebeu dos Reis Magos.

Curiosamente o Evangelho não diz que eram reis e nem que eram três, pois o texto diz somente: “eis que uns magos do oriente chegaram a Jerusalém” (Mateus 2,1). Provavelmente deduziram que eram reis, pois foram recebidos pelo rei Herodes e trouxeram valiosos presentes dignos e próprios de reis para reis. O número três remete ao tríplice presente: ouro, incenso e mirra.

A eterna luta do mal contra o bem, que permeia toda a Bíblia, e que percorrerá toda a vida de Jesus, já aparece aqui com o poderoso rei Herodes querendo manipular os Reis Magos para destruir o soberano Rei dos Reis: Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse momento Jesus não se apresenta como soberano, nem poderoso aos olhos humanos, pelo contrário, aparece como criança pequena, frágil e pobre.

Deus entra na nossa história, assumindo a condição humana em tudo, menos no pecado. Jesus pisou o nosso chão, viveu a nossa vida com suas alegrias e tristezas, fadigas e momentos de harmonia. Jesus experimentou a fragilidade extrema de uma criança recém-nascida que, sozinha sem o auxílio dos pais, não sobrevive por muitas horas. É um grande mistério o fato de um Deus tornar-se dependente de um casal: Maria e José. Jesus quis nascer pobre, isto é, unindo-se aos que estão na situação mais sofrida e mais difícil. Ao contrário de Jesus, nós instintivamente desejamos grandeza, riqueza e total independência. Precisamos de muito auxílio divino e enorme desejo e esforço de conversão para, de fato, sermos imitadores de Cristo, isto é, cristãos.

Os Reis Magos são guiados pela estrela que brilha no alto do céu, enquanto Herodes é guiado pelo falso brilho da sua arrogante prepotência, alimentada pelos bajuladores de plantão que o rodeiam no palácio. Os Reis Magos vêm de longe para encontrar e adorar o Menino Deus, enquanto Herodes, tão próximo, quer distância d’Ele e quer eliminá-lo. Os Reis Magos dão presente valiosos, enquanto Herodes quer tirar a valiosa vida do Salvador do mundo.

Os Magos oferecem ouro porque o menino é Rei, oferecem incenso porque o menino é Deus, e para o menino que é homem, oferecem a mirra, erva amarga usada também nos sepultamentos da época.

O nome oficial da festa de hoje é dia da Epifania. A palavra grega epifania significa “manifestação”, pois, através dos Magos do oriente, o Filho de Deus fez sua primeira manifestação diante de todos os povos. Jesus veio para salvar todos os povos de todas as raças línguas e nações.

Esta festa nos recorda que a estrela da fé brilha sempre, mas, como Herodes, podemos ficar cegos pelo orgulho, pela ambição, pela vaidade, pelo apego a nós mesmos e não conseguirmos enxergar a beleza da luz de Deus que nos ilumina e nos orienta nas estradas da vida. A luz da fé nos conduz até Jesus, que vem até nós também nas coisas simples da vida. Quando encontramos Jesus oferecemos-lhe o ouro, isto é, aquilo que é precioso para nós. Afinal, nada há de mais precioso e nobre do que o Rei Jesus. Quando encontramos o amor de Jesus, oferecemos-lhe o incenso da adoração e do louvor, cheios de gratidão pela infinita misericórdia de Deus derramada sobre nós.

Quem encontrou Jesus e decide segui-lo, irá comer com Ele a erva amarga que é “renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz de cada dia” (Lucas 9, 23), como Jesus tomou sobre si nossos pecados, carregou sua cruz e deu a vida por nós. Ele amou até o fim.

Por Dom Sevilha, OCD, bispo de Bauru

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