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Pastorais Sociais da Diocese de Guarulhos divulgam nota sobre as eleições 2018

Em nota, Pastorais Sociais da diocese de Guarulhos, retomam, alguns aspectos, no desejo de colaborar e esclarecer o valor primordial da Democracia à luz da Doutrina Social da Igreja.

As Pastorais Sociais da diocese de Guarulhos emitiram na sexta-feira, 19, nota sobre as eleições 2018, dado os últimos acontecimentos.  Na nota, as Pastorais afirmam que terminado o período eleitoral, começa o tempo de acompanhar a realização das promessas dos eleitos. Debruçar-se sobre projetos de formação política e no esforço continuo de seguir adiante com as Pastorais Sociais organizadas”.

Leia a nota na íntegra.

Nota ELEIÇÕES 2018

Nossa mensagem aos cristãos e às cristãs da Igreja Católica e às pessoas de boa vontade (Lc, 2,14)

No segundo semestre de 2014, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outras entidades representativas, apostaram seus esforços numa Reforma Política com “a cara e o gosto do povo”, diante dos esquemas de corrupção que transformaram a política representativa num “toma lá dá cá”. Uma ampla participação popular frustrou-se.

Após a eleição de outubro de 2014 entra em cena uma forte questão institucional. O afastamento da Presidente, somado aos resultados da Operação Lava Jato que revelou, pela primeira vez, a cultura da corrupção, criminalizando a política e os políticos, colaboram no agravamento da crise política, econômica e social. E, de lá para cá, o país não entrou mais nos trilhos.
Chegam as eleições de 2018. Uma onda de intolerância surgiu, cresceu e se alastrou aos mais diferentes ambientes da sociedade. Não são poucos os que desfizeram contatos, cortaram antigas e belas amizades, diante de extremadas posições sobre o atual cenário político. Uma tempestade de fake news (notícias falsas), nos tirou do mundo virtual para o real.

Retomamos, nesse momento, alguns aspectos, no desejo de colaborar e esclarecer o valor primordial da Democracia – por nós entendida como governo do povo, com a participação do povo, para o bem do povo. Eis nossos destaques à luz da Doutrina Social da Igreja.

Do que não devemos jamais renunciar:

1) Defesa dos ideais democráticos. Não basta jurar sobre a Constituição, mas fazer dela a base para combater a desigualdade social, o fosso desastroso na diferença entre ricos e pobres. “Pobres cada vez mais pobres, e ricos, cada vez mais ricos”;

2) Defesa do Meio Ambiente. Nossas reservas naturais não podem ser exploradas, devastadas pela ganância e desejo pelo lucro a qualquer custo e meio. A natureza, nossa Casa Comum, deve ser garantida às futuras gerações;

3) Combate implacável a todo tipo de privilégios e sistemas de corrupção. Deve-se condenar com provas, seja rico ou pobre. Na defesa do bem comum os princípios éticos devem pautar qualquer plano de governo;

4) Combate sem trégua a todo tipo de violência, sobretudo contra jovens, minorias, indígenas. Não se promove a paz semeando ódio e ideias violentas;

5) Defesa da vida desde sua concepção. No nascer ao morrer temos direitos. Nenhum nascituro – criança que irá nascer – ameaçado pelo aborto, nenhuma criança sem escola, nenhuma criança violentada, nenhuma criança fora da escola, nenhuma criança submetida ao trabalho escravo;

6) Garantia de liberdade às manifestações religiosas, filosóficas no desejo de garantir o pleno direito de manifestação, própria do Estado Laico;

7) Promoção da família e que lhe seja garantido direitos essenciais. Possamos ver: “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direito” (Papa Francisco).
Estamos diante de uma situação inédita. É um equívoco acreditar que a violência promova paz. Não podemos “lavar as mãos” ou ficar na neutralidade. O voto não tem preço, voto tem consequências.

A Paz é a gente que faz dizendo “não à truculência, ao ódio, à discriminação, às armas”. O amor ao próximo está acima de tudo (1Jo 4,7-8). Certos de que findado o período eleitoral, começa o tempo de acompanhar a realização das promessas dos eleitos. Debruçar-se sobre projetos de formação política e no esforço continuo de seguir adiante com as Pastorais Sociais organizadas. Eis alguns gestos típicos de uma atitude cidadã.

Paz e bem a todas e a todos.

Guarulhos, 19 de outubro de 2018.

Pastorais Sociais da Diocese de Guarulhos:
Pastoral Carcerária, Campanha da Fraternidade, Pastoral da Juventude, Pastoral da
Saúde, Pastoral Afro, Pastoral da Pessoa Idosa, Escola Fé e Política, Pastoral
Operária, Equipe de Articulação Laicato, Cáritas e Pastoral do Menor

 

 

Palavra do Presidente

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