“Sabendo utilizar bem as redes sociais é possível contribuir com a paz entre as religiões”

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A jornalista Cristina Angelini concedeu uma entrevista

Entrevista com uma das palestrantes do Encontro Ecumênico que começa hoje.

A Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) do Regional Sul 1, estará sediando o 9º Sulão e o 22º Encontro Ecumênico. O evento começa hoje, dia 14 de julho no Centro Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista, SP e termina no próximo dia 16, reunirá representantes dos Regionais Sul 1 (São Paulo), 2 (Paraná), 3 (Rio Grande do Sul) e 4 (Santa Catarina) e vai contar com a presença de três palestrantes.

Entre os palestrantes do Encontro, encontra-se a jornalista Maria Cristina Angelini que atualmente trabalha na Rede Globo na função de produtora de jornais de Rede. Cristina, natural de Americana, interior de São Paulo, é mestre pela Faculdade Cásper Líbero e integra na mesma instituição, o grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura do Ouvir, publicou sua dissertação de mestrado, Os gestos dos Papas no Brasil: relações entre o presencial e o midiatizado. Na adolescência, foi militante da Teologia da Libertação. Estudou Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1976) e graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (1986). Na trajetória pastoral, atuou na Diocese de Juazeiro, na Bahia. Também fez parte da equipe de coordenação da cobertura, pela TV Globo, das visitas dos Papas Bento XVI e Francisco ao Brasil.

À tarde, do segundo dia, a palestrante, Cristina fará sua palestra com abordagem voltada para a mídia e o diálogo com as religiões e a sociedade.

Antes do encontro,  a jornalista Cristina Angelini concedeu uma entrevista por e-mail ao site do Regional Sul 1, na qual faz um resumo do tema que será abordado. Confira a entrevista concedida:

Primeiramente, obrigada por aceitar responder à essas perguntas. Você será uma das conferencistas do Encontro Ecumênico. Qual será a sua contribuição aos participantes neste momento de intolerância religiosa?

Cristina: O tema é – A mídia e o diálogo com as religiões e a sociedade. A minha contribuição será uma reflexão sobre a interferência da mídia, das redes sociais no diálogo dos pastores, sacerdotes com seus fiéis. Como podemos utilizar as redes sociais para diminuir a intolerância religiosa? E falar um pouco do papel do Papa Francisco na intolerância religiosa. A repercussão das falas é enorme, na mídia e nas redes sociais.

Na minha dissertação de mestrado – Os gestos dos Papas no Brasil: relações entre o presencial e o midiatizado fiz uma analise da comunicação, da imagem, da postura, em relação a mídia dos três Papas que visitaram o Brasil. A reflexão é: a repercussão na mídia, nas redes sociais é o que se faz no presencial.

A mídia tem conseguido formular um discurso diferenciado sobre o diálogo inter-religioso?

Cristina: Penso que não. A mídia se preocupa: com o lucro, com o entretenimento. As noticias, veiculadas ou publicadas nos jornais, ou telejornais, nas rádios, sites não analisam a questão da intolerância, simplesmente, contam o que aconteceu, assim como faz a mídia católica, por exemplo. Não vi (posso estar enganada) nenhuma grande discussão sobre o tema na mídia religiosa.

De que modo a mídia pode contribuir para o diálogo com as religiões e a sociedade?

Cristina: Discutindo o tema em programas de entrevista. Provocando debates. Ou quem sabe uma novela.

Enfim, quando o assunto é mídia e religião. Como de pode avaliar isso e fazer este debate?

Cristina: Há muitas maneiras. Uma delas é saber como podemos “interferir” na mídia, através das redes sociais, e para isso precisamos saber como usar as postagens. É necessário entender o presencial e o mediatizado. Um texto (uma postagem) nas redes sociais só repercute quando o conteúdo fala do real. É preciso conhecer a realidade, olhar em volta, conversar com as pessoas. A religião tem um papel fundamental. Ela pode unir, animar e incentivar os fieis a divulgar a paz, a ter atitudes de paz. E a mídia “incentivada ou empurrada” pelas redes sociais pode colaborar na divulgação da mensagem, do tema. Gosto muito de um pensamento do  papa João XXIII, “Consulte não a seus medos, mas as suas esperanças e sonhos. Pense não sobre suas frustrações, mas sobre seu potencial não usado. Preocupe-se não com o que você tentou e falhou, mas com aquilo que ainda é possível a você fazer”. Penso, que sabendo utilizar as redes sociais é possível contribuir com a paz entre as religiões.

Categoria: Notícias