Vocações laicais

A última semana de agosto, mês das vocações, é dedicada às vocações laicais e ministérios desempenhados por leigos na vida e na missão da Igreja. Antes de falar dos serviços exercidos por leigos, é bom lembrar que todos os leigos, enquanto batizados, participam da mesma dignidade de filhos de Deus e membros da Igreja. Não é correto pensar que o leigo só é valorizado quando ele desempenha algum serviço especial na Igreja. A dignidade do leigo não vem, em primeiro lugar, daquilo que o leigo faz, mas daquilo que ele é.

É a sua condição de batizado que lhe dá a mais alta dignidade. Nessa condição e dignidade, ele tem parte no “bem” da Igreja, que é o bem da fé, da esperança e da caridade, da misericórdia de Deus e da remissão dos pecados, da vida nova que o Espírito Santo infunde nos batizados. Ao mesmo tempo, todos os leigos são um povo de “chamados” a participar da vida e da missão da Igreja, no modo que lhes é próprio.

Todos os batizados são um povo de agraciados por Deus, povo santo pela graça de Deus, família de Deus reunida pelo Filho, chamada a proclamar as grandes obras de Deus e a viver na caridade. Ao mesmo tempo, como membros da Igreja de Cristo e parte dela, os batizados são corresponsáveis por sua vida e sua missão. Vale para todos os leigos.

Os ministros ordenados recebem um dom especial, para ajudar a comunidade dos batizados a viver isso, com a ajuda de Deus.

Não é indispensável que todos os leigos desempenhem alguma missão “especial” na Igreja: o principal é viver como discípulos de Cristo, expressar a vida nova recebida no Batismo e dar o testemunho de Jesus Cristo e do Evangelho.

E isso não é pouco! No entanto, muitos leigos recebem dons especiais e são chamados a se colocarem a serviço da vida e da missão da Igreja.

Geralmente, destaca-se a vocação dos catequistas e não é sem motivo: eles têm um papel importantíssimo na vida e na missão da Igreja. São pedagogos da fé e ajudam os irmãos a darem passos na vida cristã e na experiência da fé. Os catequistas desempenham um papel importantíssimo na evangelização!

Hoje gostamos de dizer que eles ajudam outras pessoas, pequenas ou grandes, na “iniciação à vida cristã”. Trata-se sempre do mesmo: eles ajudam os irmãos a se encontrarem com Deus e com a Igreja, e a expressarem, de maneira adequada e coerente, a sua fé na vida pessoal e social, na vida moral, na participação comunitária e litúrgica da Igreja, na ação missionária, no testemunho do Evangelho no mundo. Os catequistas são pedagogos que mostram o caminho e ajudam os irmãos a darem passos e a se tornarem adultos na fé.

As paróquias precisam de muitos catequistas bem formados. Sem eles, corremos o risco de interromper a transmissão da fé de geração em geração, como a Igreja fez ao longo dos séculos, até nossos dias. A catequese pode acontecer de muitas formas da formação cristã para crianças, jovens e adultos. Os primeiros catequistas são os próprios pais católicos, que têm a possibilidade de transmitir os inícios da fé e da vida cristã aos filhos, desde a mais tenra infância. E isso marca para o resto da vida, mesmo que o fruto nem sempre apareça logo. Responsáveis maiores pela catequese são os bispos em suas dioceses e, com eles, os padres em suas paróquias e outras organizações eclesiais.

Além de catequistas, os leigos podem desempenhar muitos outros ministérios ou serviços eclesiais, participando da responsabilidade comum de todos os batizados pela vida e a missão da Igreja. Há quem se dedica às obras de caridade, à evangelização

direta, como pregador da fé e como missionário; há quem se dedica a auxiliar na liturgia ou às várias questões administrativas nas comunidades da Igreja. Quem possui um dom é chamado a exercê-lo com generosidade para a edificação do corpo de Cristo, a Igreja.

Mas, não devemos nos esquecer que o chamado principal dos cristãos leigos é para serem o bom fermento do Evangelho no meio do mundo, no trabalho e nas responsabilidades sociais e públicas, nas diversas profissões, na educação, na comunicação social e na formação da opinião pública e em todos os campos da vida e das atividades humanas. Ali os fiéis leigos são chamados a serem o sal da terra e a luz do mundo, permeando o mundo com os valores do Reino de Deus e o “bom perfume de Cristo”.

O ano de 2018 será o Ano do Laicato no Brasil. Será uma feliz ocasião para retomar o rico patrimônio da teologia do laicato, desenvolvido na Igreja a partir do Concílio Vaticano II.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo
Artigo publicado no jornal O SÃO PAULO, edição 23/8/2017

 

Categoria: Artigos